terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

IMPORTÂNCIA DA LITERATURA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL


 A LITERATURA E A INFÂNCIA
 Diante da instituição familiar, a literatura pode exercer, desde muito cedo, importante papel no desenvolvimento na infância, uma vez que, ao estar envolvida pelo universo mágico que o acervo literário produz, promove a construção do pensamento, da imaginação e da expressividade na linguagem. Quanto mais a família propiciar à criança o contato direto com os livros, de envolver-se com a fantasia, com o prazer de estar manuseando e ouvindo uma história, maior a probabilidade de ela tornar-se um adulto leitor.
Existe então a necessidade de permitir à criança a oportunidade manusear, explorar, vivenciar e apreciar a história que nele contém. Sendo assim, há uma grande possibilidade de surgir, a partir daí, o futuro leitor crítico, criativo e reflexivo. Portanto, eis aqui o compromisso dos pais na formação dos filhos, pois será através Dessa iniciação que se estabelecerá um importante elo entre a criança e o gosto pela leitura.
De acordo com Ninfa Parreiras, “a  literatura, como uma expressão artística, é a arte das palavras. Como uma manifestação de sentimentos, sensações, impressões e como a expressão lírica de um artista da palavra e do desenho, ela provoca deleite e traz um trabalho poético com as palavras, com as figuras de linguagem e com as imagens (2009, p. 22)”
A literatura proporciona à criança, através do seu universo lúdico e criativo, instrumentos para que ela desenvolva sua imaginação e criticidade, explorando seu imaginário, ultrapassar as barreiras do pensamento, transformando emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa, colaborando na sua formação e no seu desenvolvimento enquanto sujeito.
Coelho (1991 apud GREGORIM FILHO) menciona que “literatura infantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde os sonhos e a vida prática, o imaginário e o real, os ideais e sua possível/impossível realização (2009, p. 22)”.
          Nessa concepção, pode-se afirmar que a literatura faz parte do convívio das pessoas, tanto adultos quanto crianças. Unem-se o real, que são as vivências, aquilo que pode ser presenciado pela sua concretude, e o imaginário, que são as fantasias, os desejos, os sentimentos. Oferecer situações para que a criança esteja em contato com esse universo encantador, vem contribuir na formulação dos seus conceitos.
A LITERATURA E AS APRENDIZAGENS
Reconhecer a importância da literatura e promover à criança o interesse e o gosto pela leitura de textos variados que podem ser explorados, vividos por ela, através de uma proposta enriquecedora do conhecimento, é dever de todos, ou seja, da família, da escola e da sociedade em que está inserida. No entanto, para que cada uma dessas instituições colabore de forma inovadora nesse processo, é fundamental que o seu empenho seja voltado para o interesse e necessidade da criança, conforme já discutido.
Vygotsky (1993, apud MAIA, 2007, p. 22) menciona que o aprendizado é uma das principais fontes de conceitos da criança em idade escolar, e é também uma poderosa força que direciona o seu desenvolvimento determinando o destino de todo o seu desenvolvimento mental. A autora ainda comenta que, diante dessa perspectiva, a escola, em especial o professor, deve proporcionar meios para que a criança formule os seus conceitos, colaborando no seu desenvolvimento cognitivo, social e afetivo. A literatura é uma forma de expressão que pode ser utilizada em sala de aula, tanto de maneira lúdica quanto pedagógica, para auxiliar nessa construção.
          Existe a necessidade de refletir sobre a importância de um enfoque estético na abordagem do livro para o público infantil. Segundo Zilberman (1987), apud Maia, formar o leitor crítico é uma atribuição do professor e, nessa missão, a literatura desempenha uma função formadora que se distingue da pedagógica. Atrair o interesse da criança é uma tarefa que exige dedicação e envolvimento, já que apresentar a literatura sem querer impor o caráter meramente didático depende do conhecimento do educador sobre questões teóricas e conceituais acerca da literatura.
De acordo com a abordagem de Joseane Maia (2007, p.49) “a obra que apresenta qualidade literária – que leva o leitor a tomar consciência do real, a posicionar-se perante a vida, a perceber os temas e os tipos humanos presentes na trama ficcional, a conviver com as ‘realidades’, frutos do imaginário -, essa obra permite amplas possibilidades de romper a subserviência da arte em relação com a educação”.
            A literatura deve ser proposta pela escola de forma em que desafie a criança, desempenhando, através do seu fenômeno artístico, uma postura crítica, autônoma e inquiridora, vindo a exercer papel transformador no processo ensino-aprendizagem. Por meio do seu mundo imaginário e fantástico, colabora para que a criança vivencie o seu cotidiano de forma harmônica, criativa e construtiva.

Gregorim filho (2009, p. 64) reflete que a literatura pode e deve ser encarada como ferramenta imprescindível para o início das discussões geradas pelos temas, como a pluralidade cultural ética, entre outros, trabalhando no sentido de formar cidadãos éticos, plurais e participativos. Já que literatura é arte e forma de expressão, nada como usufruir dela para explorar essa questão.

            A literatura, como veículo de informação e lazer, sob o olhar de Gregorin Filho (2009, p.51), promove a formação de um indivíduo com potencialidades de argumentar, interagir com o mundo que o cerca e tornar-se agente crítico e reflexivo de modificações na sociedade que faz parte. Na construção da identidade cultural de um povo, a literatura se destaca, pois oferece os universos de relações produzidos na história, quer dizer, desde os espaços.

Abramovich cita que “ler histórias para crianças, sempre, sempre... É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens, com a ideia do conto ou com o jeito de escrever dum autor e, então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de brincadeira, de divertimento... É também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é encontrar outras ideias para solucionar questões [...]. É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos – [...] e, assim, esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a resolução delas. [...] (1989, p.17)”.

A literatura infantil passa a ser fonte inesgotável do conhecimento, propagadora pela necessidade do público infantil em buscar mais, envolver-se no universo literário trazendo para a sua realidade a magia, a criatividade, e o que é fundamental, a aprendizagem. O seu oferecimento no contexto escolar pressupõe o incentivo à leitura, cabendo ao professor ser o desafiador na formação de leitores críticos e reflexivos.

“Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e, portanto, vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso”.
Fernando Pessoa


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