Frequentemente se têm notícias de que nas escolas são
registrados atos de violência entre os alunos, tanto na rede pública como
privada, tirando o sossego dos estudantes e tranquilidade dos pais, que
geralmente depositam total confiança de que seus filhos, além de receberem o
conhecimento desejado, estão sendo assistidos. Geralmente os casos procuram ser
resolvidos sem a ação do conselho tutelar ou conhecimento de alguma imprensa
local. O Bullying é uma palavra de
origem inglesa, “bully”, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma
denominação específica na língua portuguesa, é entendido como ameaça, tirania,
opressão, intimidação, humilhação e maltrato, sendo praticados estes atos de
forma física ou como repressão emocional. Está no dia-a-dia das instituições
escolares, seja cometido tanto pelo aspecto físico, quanto emocional dos
alunos. Geralmente essa ação é intencional e continuada, sendo as vítimas
amedrontadas e reprimidas, tanto causada por agressões, quanto pela famosa
“tortura psicológica”. As diversas formas de
agressão entre alunos são registradas como empurrões, pontapés, insultos,
histórias humilhantes, mentiras para implicar a vítima a situações vexatórias,
inventar apelidos que ferem a dignidade, captar e difundir imagens,
principalmente pela internet, ameaças que deixa a vítima coagida, sem defesa e
envolta à exclusão. Mesmo que se coloquem os pais ou responsáveis a par da
situação, que se busque uma forma de diálogo com o agressor, estabelecendo as
normas e os limites, sem uma real e drástica orientação acerca das
conseqüências destes atos, a insanidade perpetua. O Bullying é um problema mundial, sendo encontrado em
toda e qualquer escola. Os que praticam o Bullying, seja de forma individual ou
em grupo, têm grande perspectiva de se tornarem adultos com comportamentos
anti-sociais e violentos, vindo a adotar, inclusive, atitudes delituosas ou
delinquentes contra sua própria família e sociedade. Discussões ou brigas
pontuais não são Bullying.
Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não se caracterizam
como esse tipo de violência. Para que seja Bullying,
é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de classe ou de
trabalho, por exemplo). Todo Bullying
é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como Bullying. Para Telma Vinha, doutora
em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), para ser dada como Bullying, a agressão física ou moral deve apresentar quatro
características: a intenção do autor em
ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a
concordância do alvo com relação à ofensa. Caso a vítima, no
caso o alvo do agressor, ignore as provocações, fazendo com que ele desista da
ação, não se considera um ato de Bullying.
Existe a necessidade de se tomar uma atitude
urgente, já que muitas crianças sentem-se aterrorizadas, vendo esse espaço que
seria de aprendizado, um verdadeiro ambiente desmotivador, causador de tantos
traumas que serão levados por toda vida. Por desrespeitarem princípios
constitucionais como a dignidade da pessoa humana, atos de Bullying configuram-se como atos ilícitos. Com
isso várias pessoas estão recorrendo à justiça para que atos de Bullying sejam ressarcidos de alguma forma. O
Código Civil brasileiro determina que todo ato ilícito que cause dano a outra
pessoa gera o dever de indenizar. A responsabilidade do ato também pode ser
enquadrada no Código de Defesa do Consumidor levando escolas, por exemplo, a
também terem responsabilidade sobre o ato tendo em vista que são prestadores de
servidos aos consumidores. Algumas atitudes que
poderiam ser tomadas como aprendizado a estes agressores, é que a instituição
escolar aplicasse como forma de punição, medidas pedagógicas procurando evitar
os traumas causados às vitimas do Bullying. Como por exemplo, sugerir que um
agressor, como alternativa educativa, pesquise, fundamente teoricamente o
assunto, as causas, conseqüências, e realize palestras para toda a equipe
escolar, reconhecendo de certa forma suas atitudes e procurando corrigi-las. Pode-se
aprofundar o trabalho, envolvendo os pais dos alunos como ouvintes, e os
responsáveis dos agressores como colaboradores nessa tarefa de esclarecimento
do real problema causado pelo Bullying. Já com os pequenos delinquentes, que
cometem seus erros, mas ainda não conseguem realizar tal pesquisa aprofundada
sobre o tema, fica a cargo dos pais ou responsáveis lhes dar toda orientação. A
ideia de realizar uma marcha silenciosa, convidando os pais, alunos e
comunidade escolar, em manifesto e combate ao Bullying nas escolas, isso
colabora pra que o agressor pense sobre suas ações e veja a repercussão que o
assunto transmite. Por medidas como estas, e outras sugeridas tanto pelos pais
de vítimas, quanto pela sociedade, devem ser aceitas e aplicadas com o intuito
de elucidar o problema.
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