Muito
se tem falado sobre o processo de inclusão nas escolas de ensino regular. No
entanto, é questionável a maneira como esta questão é aceita ou não. Porém, falar
sobre inclusão ainda existe certos tabus. Para que uma instituição escolar
possa receber um aluno com certa deficiência, o ambiente necessita estar
devidamente preparado para acolhê-lo, utilizando recursos didático-pedagógicos
que venham a suprir todas às suas necessidades enquanto aprendente. Além do
espaço físico, também o acolhimento social é considerado. Mesmo que a sociedade
já tenha superado em grande parte o seu modelo tradicional, ainda o preconceito
existe, e, infelizmente, o velho pensamento que somente uma pessoa dita como “normal”,
ou seja, que não apresenta dificuldades físicas ou intelectuais tem condições
de progredir em uma carreira profissional.
Acerca da reflexão de Tolocka e De Marco (1998) sobre o
assunto, a otimização do ambiente para a aprendizagem e a segurança, incluem a
retirada de barreiras arquitetônicas as quais dificultam ou impedem o acesso
dos alunos portadores de necessidades especiais às atividades, ou à própria
escola. Não obstante, para que o processo de aprendizagem aconteça, é fundamental
que as condições que permeiam a mesma sejam conhecidas dos profissionais, o que
implica no conhecimento mais acurado das especificidades e possibilidades de
cada aluno, bem como das propostas pedagógicas a serem oferecidas. Assim,
percebe-se que o processo de inclusão no ambiente escolar não é tão simples, já
que envolve as dimensões físicas e humanas da escola, necessitando de novas
habilidades e competências dos educadores que nela atuam. Será que as escolas
regulares estão preparadas para receberem estes alunos?
Qual será reação de um aluno, portador de deficiências múltiplas, onde sua
aprendizagem ocorre de maneira diferenciada, ao seu tempo, ao seu modo, tendo
que conviver com a competição, com a falta de recursos, com o déficit de
profissionais preparados para ampará-lo em suas necessidades, suas carências?
Será que vai ele se sentir incluído e valorizado neste ambiente de
aprendizagens e convívio social?
Apesar
da Lei nº 4.024/61, Art.88, ter sido inovadora e pretendido incluir a educação
da pessoa com deficiência na educação regular, o Art. 89, que garantia apoio
financeiro às instituições particulares que se mostrassem eficientes aos
critérios dos Conselhos Estaduais de Educação, oferecendo tratamento especial
mediante alguns benefícios, delegou ao Estado a responsabilidade indireta por
esta clientela, e com a Lei nº 5.692/71, Art. 9º, explicitou-se que alunos
portadores de deficiência física ou mental deveriam receber tratamento
especial. Mesmo que estas medidas pretendam assegurar a educação de pessoas
portadoras de necessidades especiais, acabaram por reforçar estigmas e
preconceitos sobre as possibilidades educativas, tornando-os discriminados e
segregados socialmente.
Portanto, é importante ressaltar que a
inclusão do aluno com necessidades especiais deve ser responsabilidade de toda
a equipe escolar, como também da comunidade escolar engajada de forma
solidária, comprometida com o sucesso das aprendizagens, colaborando assim, na
integração do sujeito e no processo do seu desenvolvimento enquanto cidadão. Para
que a inclusão escolar exerça o seu verdadeiro papel, de aceitar as diferenças
e com elas aprender e construir novas formas de aprendizagens é imprescindível
que o educador assuma sua função de colaborador e agente mediador do
conhecimento. Ele deve estar preparado para trabalhar com meninos e meninas
procedentes de diferentes contextos sociais e culturais e com diferentes níveis
de capacidade e ritmos de aprendizagem, a fim de garantir a participação, a
aprendizagem e o sucesso escolar de cada um.
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