Venho
refletir sobre a minha profissão... Ser professor. Profissão esta, entre
tantas, e sem desfazer nenhuma outra, julgada por mim a mais digna,
fundamental, para a vida social do ser humano. Busquei fazer uma análise, até
onde eu me lembrasse, da minha infância, para perceber de onde veio essa
vontade, esse amor, esta vocação, que trago pela minha profissão. Recordo que,
ao chegar em casa depois da aula interessante que a professora da quarta série
nos proporcionava, brincava num delicioso faz-de-conta em que eu era a
professora, e os alunos, existentes somente em meu pensamento, prestavam
atenção atentamente em tudo o que eu ensinava.
Fui
crescendo, e aprendendo cada vez mais a admirar a vida de um professor. Este,
muitas vezes deixa de lado seus problemas pessoais para poder assumir o seu
papel, envolve-se com as dificuldades dos alunos, busca descobrir as causas e
tenta encontrar a solução para todos os problemas encontrados, e isso exige seu
tempo, sua dedicação, o seu amor incondicional. Não havia dúvida. Esta seria a
minha causa, o meu desejo, ser professora, olhar nos rostinhos das crianças que
chegam à escola com o anseio de que nós, os professores, temos o mundo a
oferecer para elas... O que não sabem, nem imaginam, o quanto aprendemos com
elas, tamanho é o nosso envolvimento para buscar em suas vidas, o equilíbrio
emocional, cognitivo, social e até mesmo a apoiá-las na tentativa de uma
reestruturação familiar, que, por muitas vezes, acaba afetando o
desenvolvimento da sua personalidade.
O
professor, além do seu envolvimento constante com a educação, em procurar
aperfeiçoar-se continuamente para poder trazer o conhecimento aos seus alunos,
investir com amor em seu trabalho, honrar a camiseta que veste, lamenta que sua
profissão seja tão desvalorizada, indiferente aos olhares dos governantes que,
estando lá no cargo que conquistaram, trazendo os conhecimentos que adquiriram,
foi por intermédio de um professor, pela sábia experiência e paciência do
professor em orientá-los a serem homens de bem, de caráter, com dignidade em
suas ações. Porém, quando conquistam o cargo desejado, através, muitas vezes,
de falsas promessas, esquecem do que aprenderam e tiram proveitos para si
mesmos em tudo o que projetam, sem pensar no quanto prejudicam e vêm a denegrir
com essa classe, o professor, tão massificada, mas que nem por isso deixa de
cumprir com a sua vocação, assumindo com amor o seu trabalho.
Hoje,
o professor não realiza tão somente a sua árdua tarefa de ensinar, provocar o
aluno para que ele se envolva no processo de ensino-aprendizagem. Não, além da
sua função de educador, ainda assume o papel de pai ou mãe, orientador em suas
dificuldades de relacionamento, muitas vezes ocasionados pela desestruturação
familiar, como também exerce a psicologia, tentando sanar os distúrbios
encontrados. Sem falar, que muitas vezes, o professor é confundido como babá,
sendo chamado de “tio”, pois é esse o nome carinhoso dado aos professores de Educação
Infantil.
Como
é importante refletir sobre isso, sobre o porquê precisamos mendigar pelos
nossos direitos, direitos até mesmo de sobrevivência, já que tiramos do nosso
defasado salário o investimento em formação continuada para que os nossos
alunos mereçam receber um ensino de qualidade. Então vêm as pesquisas,
apontando o baixo desempenho escolar. Mesmo que o professor vista a camiseta
pela profissão, alguns se deixam levar pelo desânimo e acabam por não
empenhar-se o seu máximo de potencial que eu sei, existe, mas, se todas as
entidades, a sociedade como instituição fundamental na vida do ser humano, os
pais dos alunos, abraçassem essa causa, de lutar juntamente com o professor,
pela sua vida digna, pelo seu trabalho reconhecido, certamente essas pesquisas
mudariam os seus índices. E pra melhor!
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