sábado, 24 de março de 2012
Você é fruto de suas escolhas
terça-feira, 20 de março de 2012
Desenvolvimento Sustentável
O que é desenvolvimento sustentável?
A definição mais aceita para desenvolvimento
sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração
atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras
gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Essa
definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois
objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.
O que é
preciso fazer para alcançar o desenvolvimento sustentável?
Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável
depende de planejamento e do reconhecimento de que os recursos naturais são
finitos. Esse conceito representou uma nova forma de desenvolvimento econômico,
que leva em conta o meio ambiente. Muitas vezes, desenvolvimento é confundido
com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e
recursos naturais. Esse tipo de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois
leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende.
Atividades econômicas podem ser encorajadas em detrimento da base de recursos
naturais dos países. Desses recursos depende não só a existência humana e a
diversidade biológica, como o próprio crescimento econômico. O
desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quantidade,
com a redução do uso de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização
e da reciclagem.
Os modelos de desenvolvimento dos países
industrializados devem ser seguidos?
O desenvolvimento econômico é vital para os países
mais pobres, mas o caminho a seguir não pode ser o mesmo adotado pelos países
industrializados. Mesmo porque não seria possível.
Caso as sociedades do Hemisfério Sul copiassem os padrões das sociedades do Norte, a quantidade de combustíveis fósseis consumida atualmente aumentaria 10 vezes e a de recursos minerais, 200 vezes. Ao invés de aumentar os níveis de consumo dos países em desenvolvimento, é preciso reduzir os níveis observados nos países industrializados. Os crescimentos econômico e populacional das últimas décadas têm sido marcados por disparidades. Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira mundial.
Caso as sociedades do Hemisfério Sul copiassem os padrões das sociedades do Norte, a quantidade de combustíveis fósseis consumida atualmente aumentaria 10 vezes e a de recursos minerais, 200 vezes. Ao invés de aumentar os níveis de consumo dos países em desenvolvimento, é preciso reduzir os níveis observados nos países industrializados. Os crescimentos econômico e populacional das últimas décadas têm sido marcados por disparidades. Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira mundial.
Desenvolvimento
sustentável é
um conceito sistêmico que se traduz num modelo de desenvolvimento global que
incorpora os aspectos de desenvolvimento ambiental. Foi
usado pela primeira vez em 1987, no Relatório Brundtland, um relatório
elaborado pela Comissão
Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criado em 1983 pela Assembleia das Nações Unidas.
A definição mais usada para o desenvolvimento
sustentável é:
O desenvolvimento que procura
satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das
gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa
possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório
de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural,
fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando
as espécies e os habitats naturais.
|
Ao longo das ultimas décadas, vários têm sido os
acontecimentos que marcam a evolução do conceito de desenvolvimento
sustentável, de acordo com os progressos tecnológicos, assim como do aumento da
conscientização das populações para o mesmo.
A terra como um planeta frágil, a ser protegido
pela Humanidade.
O conceito de desenvolvimento sustentável é um conceito
que abrange várias áreas, assentando essencialmente num ponto de equilíbrio
entre o crescimento econômico, equidade social e a proteção do ambiente.
A Declaração
Universal sobre a Diversidade Cultural adiciona um novo enfoque
na questão social, ao afirmar que "… a diversidade cultural é tão
necessária para a humanidade como a biodiversidade é para a natureza"
torna-se "as raízes do desenvolvimento entendido não só em termos de
crescimento econômico, mas também como um meio para alcançar um mais
satisfatório intelectual, emocional, moral e espiritual”. Nessa visão, a diversidade cultural é a quarta área
política do desenvolvimento sustentável.
Durante os últimos dez anos, diversas organizações
têm tentado medir e monitorizar a proximidade com o que consideram a
sustentabilidade através da aplicação do que tem sido chamado de métricas e indicadores
de sustentabilidade.
O desenvolvimento sustentável é dito para definir
limites para o mundo em desenvolvimento. Enquanto os atuais países de primeiro
mundo, poluído significativamente durante o seu desenvolvimento, os mesmos
países incentivam os países do terceiro
mundo a reduzir a poluição,
o que, por vezes, impede o crescimento. Alguns consideram que a implementação
do desenvolvimento sustentável implica um retorno à estilos de vida
pré-modernos.[31]
Além das Nações Unidas, outras entidades elaboram ainda
outros modelos de indicadores, como no caso da Comissão Europeia, da Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Global Environment Outlook (GEO).
Os três componentes do Desenvolvimento sustentável
Sustentabilidade ambiental
A sustentabilidade
ambiental consiste na manutenção das funções e componentes do ecossistema,
de modo sustentável, podendo igualmente designar-se como a capacidade que
o ambiente natural tem de manter as
condições de vida para as pessoas e para os outros seres vivos, tendo em conta
a habitabilidade, a beleza do ambiente e a sua função como fonte de energias renováveis.
As Nações Unidas, através do sétimo ponto das Metas de desenvolvimento do milênio procura
garantir ou melhorar a sustentabilidade ambiental, através de quatro objetivos
principais:
1- Integrar
os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas
nacionais e reverter a perda de recursos
ambientais.
2- Reduzir
de forma significativa a perda da biodiversidade.
3- Reduzir
para metade a proporção de população sem acesso a água potável e saneamento básico.
4- Alcançar,
até 2020 uma melhoria significativa em pelo menos cem milhões de pessoas a
viver abaixo do limiar da pobreza.
Sustentabilidade Econômica
A sustentabilidade econômica, enquadrada no âmbito
do desenvolvimento sustentável é um conjunto de medidas e políticas que visam a
incorporação de preocupações e conceitos ambientais e sociais. Aos conceitos
tradicionais de mais valias econômicas são adicionados como fatores a ter em
conta, os parâmetros ambientais e sócio-econômicos, criando assim uma interligação
entre os vários setores. Assim, o lucro não é somente medido na sua vertente
financeira, mas igualmente na vertente ambiental e social, o que potencia
um uso mais correto quer das matérias
primas, como dos recursos
humanos. Há ainda a incorporação da gestão mais eficiente dos recursos
naturais, sejam eles minerais, matéria prima como madeira ou ainda
energéticos, de forma a garantir uma exploração sustentável dos
mesmos, ou seja, a sua exploração sem colocar em causa o seu esgotamento, sendo
introduzidos elementos como nível ótimo de poluição ou as externalidades ambientais,
acrescentando aos elementos naturais um valor econômico.
Sustentabilidade Sócio-política
A sustentabilidade sócio-política centra-se no
equilíbrio social, tanto na sua vertente de desenvolvimento social como
sócio-econômica. É um veículo de humanização da economia, e, ao mesmo tempo,
pretende desenvolver o tecido social nos seus componentes humanos e culturais. Neste
sentido, foram desenvolvidos dois grandes planos: a agenda 21 e
as metas de desenvolvimento do milênio.
A Agenda 21 é
um plano global de ação a ser tomada a nível global, nacional e local, por
organizações das Nações Unidas, governos, e grupos locais, nas diversas áreas onde
se verificam impactes significativos no ambiente. Em termos práticos, é a mais
ambiciosa e abrangente tentativa de criação de um novo padrão para o
desenvolvimento do século XXI, tendo por base os conceitos de desenvolvimento
sustentável.
As Metas de
Desenvolvimento do Milênio (MDM) surgem da Declaração do Milênio das Nações Unidas, adotada pelos 191 estados
membros no dia 8 de Setembro de 2000. Criada em um esforço
para sintetizar acordos internacionais alcançados em várias cúpulas mundiais ao
longo dos anos 1990 relativos ao meio-ambiente e desenvolvimento, direitos das mulheres, desenvolvimento social, racismo,
entre outras, a Declaração traz uma série de compromissos concretos que, se
cumpridos nos prazos fixados, segundo os indicadores
quantitativos que os acompanham, deverão melhorar o destino da humanidade neste século.
Esta declaração menciona que os governos "não economizariam esforços para
libertar nossos homens, mulheres e crianças das condições desumanas da pobreza
extrema", tentando reduzir os níveis de pobreza, promovendo o bem
estar social. Estes projetos são monitorizados com recurso ao Índice de Desenvolvimento Humano,
que é uma medida comparativa que engloba três dimensões: riqueza, educação e
esperança média de vida.
Estratégias nacionais de desenvolvimento
sustentável
O capítulo 8 da Agenda 21 incentiva
os países a adotarem estratégias nacionais de desenvolvimento sustentável
(ENDS), estimulando-os a desenvolver e harmonizar as diferentes políticas setoriais,
econômicas,crimes, sociais e ambientais e de planos que operam no país. O
apelo à elaboração destes documentos estratégicos, que devem reforçar e
harmonizar as políticas nacionais para a economia, as questões sociais e o
ambiente, foi reforçado na Sessão
Especial da Assembleia das Nações Unidas de 1997 (Rio+5), na Cimeira
Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002 em Joanesburgo (Rio+10).
A primeira revisão para estabelecer os elementos
básicos de boas práticas foi um "Manual para NSDS" preparado por
Carew-Reid et al. (1994) partindo das experiências compartilhadas por vários
países, através de relatórios nacionais e regionais, durante um projeto
liderado pela IUCN e
IIED. Este trabalho preparou o terreno
para a obra mais posterior. Foi construído em cima pelo CAD da OCDE no seu trabalho
para produzir orientações para ENDS (CAD 2001), que estabeleceu os princípios
acordados para a ENDS, mais tarde ecoou na UNDESA orientação desenvolvido na
sequência de um workshop internacional (UNDESA 2002).
Na prática, é uma estratégia eficaz para o
desenvolvimento sustentável reúne as aspirações e capacidades de governo,
sociedade civil e do sector privado para criar uma visão para o futuro, e para
trabalhar tacticamente e progressivamente para esses objetivos, identificando e
construindo sobre "o que funciona", melhorando a integração entre as
abordagens, fornecendo um quadro para fazer as escolhas que a integração não é
possível. Estas estratégias incidem sobre o que é realmente praticável, pois
com uma estratégia eficaz e abrangente poderá solucionar-se vários problemas ao
mesmo tempo.
Assim, as ENDS apresentam 7 pontos chave, sendo
tratados de forma integrada as questões econômicas, ambientais e sociais, a
saber:
§ Transporte Sustentável
§ Consumo e produção sustentáveis
§ Conservação e gestão dos recursos
naturais
§ Inclusão social, demografia e migração
§ A pobreza no mundo
Agenda 21 local
A agenda 21
local é um processo pelo qual as entidades nacionais se
envolvem com a comunidade civil na elaboração de uma estratégia conjunta, e com
um plano de ação que vise melhorar a qualidade de
vida a nível local. Têm como objetivo aplicar as
recomendações da Agenda 21, ao nível local, envolvendo as
entidades governamentais locais, sector empresarial e industrial e sociedade
civil.
Sugestões para o desenvolvimento sustentável:
- Reciclagem de diversos tipos de materiais: reciclagem de papel, alumínio, plástico, vidro, ferro, borracha, etc;
- Coleta seletiva de lixo;
- Tratamento de esgotos industriais e domésticos para que não sejam jogados em rios, lagos, córregos e mares;
- Descarte de baterias de celulares e outros equipamentos eletrônicos em locais especializados. Estas baterias nunca devem ser jogadas em lixo comum;
- Geração de energia através de fontes não poluentes como, por exemplo, eólica, solar e geotérmica.
- Substituição, em supermercados e lojas, das sacolas plásticas pelas feitas de papel;
- Uso racional (sem desperdício) de recursos da natureza como, por exemplo, a água;
- Diminuição na utilização de combustíveis fósseis (gasolina, diesel), substituindo-os por biocombustíveis;
- Utilização de técnicas agrícolas que não prejudiquem o solo;
- Substituição gradual dos meios de transportes individuais (carros particulares) por coletivos (metrô);
- Criação de sistemas urbanos (ciclovias) capazes de permitir a utilização de bicicletas como meio de transporte eficiente e seguro;
- Incentivo ao transporte solidário (um veículo circulando com várias pessoas);
- Combate ao desmatamento ilegal de matas e florestas;
- Combate à ocupação irregular em regiões de mananciais;
- Criação de áreas verdes nos grandes centros urbanos;
- Manutenção e preservação dos ecossistemas.
- Valorização da produção e consumo de alimentos orgânicos.
- Implantação, nos grandes centros urbanos, da técnica do telhado verde.
Estas são apenas algumas sugestões para que o ser humano consiga estabelecer o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a manutenção do meio ambiente. Desenvolvimento sustentável é o grande desafio do século XXI e todos podem colaborar para que possamos atingir este importante objetivo. A primeira etapa para conquistar o desenvolvimento sustentável é reconhecer que os recursos naturais são finitos. Usar os bens naturais, com critério e planejamento. A partir daí, traçar um novo modelo de desenvolvimento econômico para a humanidade.
- Reciclagem de diversos tipos de materiais: reciclagem de papel, alumínio, plástico, vidro, ferro, borracha, etc;
- Coleta seletiva de lixo;
- Tratamento de esgotos industriais e domésticos para que não sejam jogados em rios, lagos, córregos e mares;
- Descarte de baterias de celulares e outros equipamentos eletrônicos em locais especializados. Estas baterias nunca devem ser jogadas em lixo comum;
- Geração de energia através de fontes não poluentes como, por exemplo, eólica, solar e geotérmica.
- Substituição, em supermercados e lojas, das sacolas plásticas pelas feitas de papel;
- Uso racional (sem desperdício) de recursos da natureza como, por exemplo, a água;
- Diminuição na utilização de combustíveis fósseis (gasolina, diesel), substituindo-os por biocombustíveis;
- Utilização de técnicas agrícolas que não prejudiquem o solo;
- Substituição gradual dos meios de transportes individuais (carros particulares) por coletivos (metrô);
- Criação de sistemas urbanos (ciclovias) capazes de permitir a utilização de bicicletas como meio de transporte eficiente e seguro;
- Incentivo ao transporte solidário (um veículo circulando com várias pessoas);
- Combate ao desmatamento ilegal de matas e florestas;
- Combate à ocupação irregular em regiões de mananciais;
- Criação de áreas verdes nos grandes centros urbanos;
- Manutenção e preservação dos ecossistemas.
- Valorização da produção e consumo de alimentos orgânicos.
- Implantação, nos grandes centros urbanos, da técnica do telhado verde.
Estas são apenas algumas sugestões para que o ser humano consiga estabelecer o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a manutenção do meio ambiente. Desenvolvimento sustentável é o grande desafio do século XXI e todos podem colaborar para que possamos atingir este importante objetivo. A primeira etapa para conquistar o desenvolvimento sustentável é reconhecer que os recursos naturais são finitos. Usar os bens naturais, com critério e planejamento. A partir daí, traçar um novo modelo de desenvolvimento econômico para a humanidade.
É um
modo de consumir capaz de garantir não só a satisfação das necessidades das
gerações atuais, como também das futuras gerações. Isso significa optar pelo
consumo de bens produzidos com tecnologia e materiais menos ofensivos ao meio
ambiente, utilização racional dos bens de consumo, evitando-se o desperdício e
o excesso e ainda, após o consumo, cuidar para que os eventuais resíduos não
provoquem degradação ao meio ambiente. Principalmente: ações no sentido de
rever padrões insustentáveis de consumo e minorar as desigualdades sociais. Adotar
a prática dos três “R”: o primeiro R, de REDUÇÃO, que
se recomenda evitar adquirir produtos desnecessários; o segundo R, de REUTILIZAÇÃO, que sugere que se
reaproveite embalagens, plásticos e vidros, por exemplo; por fim, o terceiro e
último R, de RECICLAGEM,
que orienta separar o que pode ser transformado em outro produto ou, então, em
produto semelhante.
Para alcançarmos o Desenvolvimento
Sustentável, a proteção do ambiente deve ser entendida como parte integrante do
processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente.
Questiona-se então, qual a diferença entre crescimento e desenvolvimento? A diferença é que
o crescimento não conduz automaticamente à
igualdade nem à justiça sociais, pois não leva em consideração nenhum outro
aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo de riquezas, que se faz nas
mãos apenas de alguns indivíduos da população. O desenvolvimento, por sua vez,
preocupa-se com a geração de riquezas sim, mas tem o objetivo de distribuí-las,
de melhorar a qualidade de vida de toda a população, levando em consideração,
portanto, a qualidade ambiental do planeta.
Texto retirado de documentários eletrônicos, com algumas reflexões.
Texto retirado de documentários eletrônicos, com algumas reflexões.
segunda-feira, 19 de março de 2012
A IMPORTÂNCIA DOS ESPAÇOS E TEMPOS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
O ambiente escolar tem como função primordial criar
espaços e oportunidades para que as crianças se desenvolvam através de
atividades lúdicas, tanto em sala de aula como fora dela, permitindo que os
conhecimentos sejam construídos de maneira interessante, envolvente, provocadora,
possibilitando que o educando se desenvolva como um todo.
O autor Domingos Paschoal Cegalla (2005), trouxe o
seguinte conceito da palavra ambiente no Dicionário Escolar da Língua
portuguesa:
1 Conjunto de
elementos físicos que nos rodeiam; o meio fisico em que estamos: A poluição
agride o ambiente.2 Lugar, recinto: É um spray para grandes ambientes. 3
Conjunto geral de condições que envolvem alguém; clima: Saiu logo da festa
porque não tinha ambiente. 4 adj. Que cerca, circunda ou envolve os corpos por
todos os lados: Controle da temperatura ambiente. (p. 58)
Através desses conceitos, pode-se citar aqui para uma
relação mais precisa entre a criança-escola, o adjetivo que cerca, circunda e
envolve os corpos por todos os lados. Isso porque a escola é um ambiente onde
são propostos, ou deveria ser, espaços desafiadores em todos os cantos,
oportunizando a criança a exploração, envolvimento e socialização com
diferentes culturas, já que cada participante desse processo educativo traz
consigo uma grande diversidade sócio-histórico-cultur
Bassedas, Huguet e Solé (1999) trazem que:
O ambiente é definido
por elementos, espaços, condições, situações e relações que fazem parte do
contexto da criança e que incidem no seu desenvolvimento. O meio é o que abarca
os ambientes e os objetos físicos, bem como as organizações e as relações
sociais imediatas dos outros âmbitos que, mesmo com o seu caráter mediador (por
exemplo, a televisão), e a sua distância física e temporal, estão estreitamente
relacionadas com os interesses da criança e despertam sua curiosidade e seus
desejos de saber. (p.71)
A
criança necessita que a ela sejam dadas possibilidades, não somente na escola,
mas no ambiente familiar e no meio onde está inserida. Tudo para que possa
desfrutar de sua infância, às vezes deixada de lado para assumir a
responsabilidade e comportamento do mundo adulto.
O Referencial Curricular Nacional para Educação
Infantil afirma que:
O espaço
deve propiciar condições para que as crianças possam usufruí-lo em benefício do
seu desenvolvimento e aprendizagem. Para tanto, é preciso que o espaço seja versátil
e permeável à sua ação, sujeito às modificações propostas pelas crianças e
pelos professores em função das ações desenvolvidas. (Volume I, 1998, p. 69).
A
aprendizagem em um ambiente escolar deve estar relacionada com a organização
dos tempos e espaços a serem propostos na educação do sujeito. Para
isso, é necessário o envolvimento da instituição em oferecer um ambiente
acolhedor, afetivo e provocador das aprendizagens, o que torna responsabilidade
do educador organizar de forma lúdica e educativa os espaços, e função da
escola oferecer recursos para que as estruturas espaços-temporais sejam
proporcionadas.
A
partir do Dicionário Aurélio da Lingua Portuguesa, do autor Aurélio Buarque de
Holanda Ferreira (2004) traz-se o conceito do aprender:
1 Tomar conhecimento
de: aprender a lição.2 Tornar-se capaz de algo, graças a estudo, observação,
experiência, etc.: Aprendeu a falar inglês. 3 Adquirir conhecimentos ou
experiência: Aprendeu a costurar com a mãe. 4 Tomar conhecimento de algo,
retê-lo na memória, graças a estudo, observação, experiência, ect.[conjug:
[aprend]er]. (p. 60)
O conceito de aprender que estabelece uma relação mais
condizente com o ambiente escolar e a criança cita tornar-se capaz de algo,
graças a estudo, ou seja, ao envolvimento, à observação, as vivências e as
descobertas a partir dessa exploração. A escola deve oportunizar um ambiente
desafiador capaz de propiciar que a criança seja ativa, participante, curiosa,
desenvolvendo assim suas capacidades de aprender.
Assim, o
desenvolvimento cognitivo ocorre pelo processo de internalização das vivências
e da relação que a criança estabelece
com o meio em que está inserida, socializando suas descobertas a partir dos
instrumentos oferecidos pela cultura ali existente, uma vez que esse processo
de aprendizagem se constrói de fora para dentro, através do contato com o meio,
com o outro.
Ao
trazer o conceito de tempo, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa do
autor Domingos Paschoal Cegalla (2005) pode-se dizer que:
Tempo quer dizer: 1
Sucessão dos anos, dias, das horas, etc.: O tempo implacável fez o trio cair no
esquecimento. 2 período cuja duração se especifica: Já faz um bom temo que ele
não trabalha. 3 Disponibilidade: Agora não temho tempo. 4 Época: Naquele tempo
a vida era mais difícil. 5 Período do ano em que se dão certos fenômenos
naturais; estação: Ainda não é tempo de manga. 6 Duração: Encurtei o tempo do
trajeto. 7 (Mús.) cada uma das unidades do compasso: A mínima equivale a dois
tempos e a semínima, a um tempo. 8 Cada um dos dois períodos em que se divide a
partida de futebol ou outras competiçoes esportivas: Os gols só saíram no
segundo tempo. 9 estada: Nosso tempo na Françaestava para terminar. 10 Conjunto
de condições metereológicas: O tempo bom favoreceu o espetáculo. 11 Ocasião
propícia para alguma coisa: Já é tempo de escolher uma esposa. 12 Prazo: É
melhor dar um tempo [...] (p. 816)
Para fazer uma relação entre espaço-tempo na aprendizagem
infantil, traz-se o conceito de tempo como um período cuja duração se
especifica. Quer dizer das rotinas propostas pela escola. Quando a criança vem
para a sala de aula, o educador apresenta na sua prática pedagógica a
organização das rotinas a ser propiciadas às crianças, respeitando a
singularidade de cada uma, o seu tempo de desenvolvimento e o seu contexto.
A criança, ao ingressar na escola, traz consigo a sua
rotina diária, os seus hábitos e vontades. Cabe ao educador, com o apoio da
escola, oferecer um espaço em que possa ser organizadas as diferentes rotinas que
ali se estabelecerão, procurando fazer uma inter-relação entre elas, para que
possa se desenvolver as aprendizagens de forma lúdica e significante.
Porém,
Bertolini (1996, p. 530) apud Barbosa (2006) diz que:
O excesso de
rotinização impede a exploração, a descoberta, a formulação de hipóteses sobre
o que está para acontecer. Em outras palavras: trata-se de combinar routine e
variação, de oferecer à criança um andaime, uma estrutura feita de tempo,
espaço, fórmulas verbais que lhes permitam a exploração, a inferência, a
decifração do que acontece, os experimentos mentais sobre quando sucede. (p.
44)
Essa
preocupação referente ao excesso de rotinização no ambiente escolar diz do
educador trazer o conhecimento pronto
para a criança sem mesmo respeitar o seu conhecimento prévio, as suas vivências
trazidas para a sala de aula, as quais podem colaborar na diversificação e
ampliação das culturas, das aprendizagens.
Bassedas,
Huguet e Solé (1999) citam que:
O tempo e aprender e
o tempo de viver e crescer não estão separados e, em todo momento, a criança
cresce e parende graças à ação educativa das pessoas que a envolvem e às
experiências que tem no seu contexto. Por esse motivo, quando planificamos o
que faremos na sala de aula ou na escola, devemos considerar todos os momentos
da jornada refletindo e valorizando os diferentes aspectos que aqui incidem.
(p. 100)
Assim,
considera-se a importância dos espaços, as situações de aprendizagens ali desenvolvidas,
a equipe ativa no processo e a organização temporal. A escola como um espaço
privilegiado da criança, precisa aplicar a sua pedagogia através do olhar da
criança, dialogar de acordo com a sua linguagem, lembrando sempre que o lúdico
é a linguagem da criança.
A
educadora Maria do Socorro Feitosa, do CEI
da Mina (2000) fala que:
Aprender a gerir o
espaço e saber cuidar dos materiais de uso coletivo é um desafio para as
crianças. No início, é o adulto que dá o norte para esta organização, mas deve
incluir gradativamente as crianças no aprendizado. Nesse sentido, as rodas de
conversas p´revias e posteriores à organização ajudam as crianças a irem
construindo autonomia no uso do espaço coletivo. (s/p)
A
estruturação do espaço físico, a forma como os materiais estão dispostos e
organizados influenciam os processos de ensino e de aprendizagem e auxiliam a
construção da autonomia na criança. Para desenvolver sua identidade, é
fundamental que ela sinta-se protegida e esteja inserida em um ambiente
estável, conhecido e acolhedor. Os espaços são concebidos como componentes
ativos do processo educativo e neles estão refletidas as concepções de educação
assumidas pelo educador e pela escola.
Dutoit (1995, p. 74) citada por Barbosa (2006), aponta a
centralidade do conceito de rotina na ação pedagógica para as crianças de
creche e pré-escola. Ela diz que:
A rotina é
considerada como algo estanque, inflexível, até pela definição da própria
palavra, porém ela é a espinha dorsal de uma creche e através dela são
organizados o tempo, o espaço e o conjunto de atividades destinadas às crianças
e aos educadores. [...] A rotina representa a concepção que se tem de educação,
homem e sociedade e, principalmente, a concepção de infância, porque
traduz através dos fazeres o que se
compreende da função de uma creche. (p. 109)
O espaço físico pode ser transformado em
espaço educativo, dependendo da atividade que nele acontece. A criança, ao
estabelecer relações entre o mundo e as pessoas, interage com o meio,
manifestando suas emoções, seus sentimentos, suas conquistas, que podem
modificar o ambiente.
As autoras Barbosa e Horn (2001) citam que
“compartilhamos da idéia de que o espaço físico e social é fundamental para o
desenvolvimento das crianças na medida em que ajuda a estruturar as funções
motoras, sensoriais e simbólicas, lúdicas e relacionais”. ( p.73).
A
escola é um espaço de trocas e de construções coletivas definidas na sua filosofia,
nos princípios educativos implícitos no projeto pedagógico assumido pela equipe
escolar. É importante que a sala de aula seja um lugar provocador das
aprendizagens, respeitando a diversidade cultural que cada criança traz
consigo, o seu contexto, já que será
nesse ambiente que as crianças irão vivenciar as suas experiências e
descobertas.
Barbosa
(2006) diz que:
Não percebemos
espaços, senão lugares, isto é, espaços elaborados, construídos. Espaços com
significados e representações de espaço. Representações de espaço qque
visualizam ou contemplam, que se rememoram ou recordam, mas que sempre levam
consigo uma interpretação determinada. Uma interpretação que é o resultado não
apenas da disposição material de tais espaços, como também de sua dimensão
simbólica. Nada é melhor do que falar; nesse caso, no valor didático do
símbolo, um aspecto a mais da dimensão educativa do espaço. (p. 119)
Nesse
ambiente construtivo, surgem idéias a serem cuidadosamente trabalhadas. A sala
é o lugar do jogo, do faz de conta, da socialização, da liberdade e do
desenvolvimento da imaginação. Lugar em que as crianças sentem-se seguras, integrantes
das aprendizagens, desafiadas a pensar, se envolver, para que favoreçam seu desenvolvimento.
A tarefa do professor está voltada para
provocar o desejo da criança em buscar as aprendizagens. Ele a instiga e
organiza diferentes situações recreativas, sociais, lúdicas, para que ela venha
a participar, com autonomia e interesse, da construção do seu próprio
conhecimento.
As
trocas realizadas no ambiente escolar são fundamentais para o desenvolvimento
da criança, sendo que através delas, abrem-se outras possibilidades de
aprendizagens. Horn (2004, p. 16) destaca que o espaço físico “não é algo dado,
natural, mas sim construído”. A escola constitui-se em lugar ideal para
oportunizar não só aprendizagem, mas também a criticidade, criatividade,
interação e convivência.
Barbosa e Horn (2001) afirmam que:
As aquisições
sensoriais e cognitivas das crianças têm estreita relação com o meio físico e
social, pois ele ajuda a estruturar as funções motoras, sensoriais, simbólicas,
lúdicas e relacionais. “Ao desenvolver seu esquema corporal, sua percepção
ultrapassa as fronteiras do eu e do não-eu, aprendendo a lidar com as cobranças
do contexto no qual estão inseridas” (p.75).
No
ambiente físico, a criança tem a oportunidade de manifestar seus desejos,
tocar, sentir, emitir e escutar sons e palavras, construir regras que
normatizam o uso de diferentes espaços, móveis, equipamentos e instrumentos.
Isso lhe permite observar, categorizar, escolher e propor atividades a serem
desenvolvidas em sala de aula.
Frago
e Escolano (1998, p. 26) apud Barbosa (2006) trazem que “o ambiente é
fundamental na constituição dos sujeitos, por ser um mediador cultural tanto da
gênese como da formação dos primeiros esquemas cognitivos e motores, ou seja,
um elemento significativo do currículo, uma fonte de experiência e
aprendizagem”. (p. 121)
O
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (1998) diz que:
É aconselhável que os
locais de trabalho, de uma maneira geral. Acomodem confortavelmente as
crianças, dando o máximo de autonomia para o acesso e uso dos materiais.
Espaços apertados inibem a expressão artística, enquanto os espaços
suficientemente amplos favorecem a liberdade de expressão. Vale lembrar que os
locais devem favorecer o andar, o correr e o brincar das crianças. Devem,
também, ser concebidos e equipados de tal forma que sejam interessantes para as
crianças, ativando o desejo de produzir e o prazer de estar ali. Precisam,
igualmente, permitir o rearranjo do mobiliário de acordo com as propostas. Faz parte do processo criativo uma certa desordem no local causada, por
exemplo, pela variedade de materiais utilizados. A arrumação do espaço ao término
das atividades deve envolver a participação das crianças. O espaço deve
possibilitar também a exposição dos trabalhos e da sua permanência nesse local
pelo tempo que for desejável. (p.110)
Um
ambiente favorecedor do desenvolvimento da autonomia da criança está
intrinsecamente relacionado ao seu planejamento. A possibilidade de atuar
livremente favorece diferentes aprendizagens, uma vez que a criança escolhe,
decide, levanta suas hipóteses, aguça sua capacidade crítica e criativa.
Porém torna-se necessário que o professor ofereça
situações lúdicas e provocantes, capazes de propiciar à criança o
desenvolvimento do seu imaginário, da sua capacidade de observação e
investigação do meio que a cerca. Assim, ela estabelece suas relações com o
outro e o espaço.
Barbosa
e Horn (2001, p. 73) destacam que, ao pensar no espaço para as crianças,
deve-se levar em consideração que o ambiente é composto por gosto, toque, sons
e palavras, regras de uso do espaço, luzes e cores, odores, mobílias,
equipamentos e ritmos de vida. Também é importante educar as crianças no
sentido de observar, categorizar, escolher e propor, possibilitando-lhes
interações com diversos elementos.
O
professor da Educação Infantil ocupa a função de mediador, o que lhe permite
observar comportamentos e interagir sobre eles. Em algumas situações, ele
intervém, instigando a criança a pensar, a refletir sobre o que está
acontecendo. Nem sempre é necessário intervir, pois muitas vezes, as próprias
crianças resolvem as situações-problema e encaminham soluções.
O
Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil menciona que:
O trabalho com o
espaço pode ser feito, também, a partir de situações que permeiam o uso de
figuras, desenhos, fotos e certos tipos de mapas para a descrição e representação
de caminhos, itinerários, lugares, localizações, etc. Pode-se aproveitar, por
exemplo, passeios pela região próxima à instituição ou a locais específicos,
como a praia, a feira, a praça, o campo, para incentivar a pesquisa de
informações sobre localização, caminhos a serem percorridos, etc. Durante esses
trabalho, é possível introduzir nomes de referência da região, como bairros,
zonas ou locais aonde se vai, e procurar localizá-los nos mapas ou guias da
cidade. (p. 233)
Nessa visão, o educador deve propor
em sua prática pedagógica, não somente o espaço delimitado da sala de aula, mas
envolver o contexto em que seus alunos estão inseridos, valorizar a realidade
de cada um e trazer para o desenvolvimento das aprendizagens a diversidade
cultural que o meio proporciona. O conhecimento está muito além do que os
cantinhos na escola, mas nas ruas, nos ambientes produtores de informações, nas
vivências das crianças. Ao promover a inter-relação entre todos os
participantes desse processo, cada um, no seu tempo, construirá suas
habilidades cognitivas, afetivas e psicomotoras.
Sabe-se
que o conhecimento é construído por meio das relações entre os seres humanos,
num processo de trocas e mediações que desencadeia a produção e reprodução de
saberes práticos, conceitos, valores, formas de relação. Por intermédio de
relações significativas com o conhecimento, num confronto permanente entre
aquilo que já se sabe e o novo, o ser humano aprende e desenvolve-se cognitiva
e emocionalmente.
Texto retirado de documentários eletrônicos, com algumas reflexões.
ASPECTOS HISTÓRICOS SOBRE A ORIGEM DO SENTIMENTO DE INFÂNCIA
Nos primeiros tempos em que a infância não era percebida,
aproximadamente no período entre os séculos XII a XVII, a criança era vista
como um adulto em miniatura, uma vez que a sua educação era transmitida pela
família, principalmente pela mãe, que direcionava os cuidados necessários e os
ensinamentos de que ela necessitava.
Philipe Ariès, em sua obra clássica “A história social da
criança e da família”, (1981), retrata que o conceito de criança tem evoluído,
sendo vista ora como bebelô, bichindo de estimação, ora como um adulto que não
cresceu, passível de encargos e abusos como os da negligência, do trabalho
precoce e também da exploração sexual.
Segundo ele (1981):
A
descoberta da infância começou sem dúvida no século XIII, e sua evolução pode
ser acompanhada na história da arte e na iconografia dos séculos XV e XVI. Mas
os sinais de seu desenvolvimento particularmente numerosos e significativos a
partir do fim do século XVI e durante o século XVII. (p. 65)
Em se tratando de cuidados, quando a criança não precisava mais
do apoio constante da mãe ou da ama, ela
passava a conviver com os adultos, ingressando na idade adulta e fazendo
parte de suas relações e rotina. A infância, naquela época, era vista como um
estado de transição para a vida adulta.
O indivíduo só passava a existir quando começava a participar das
atividades sociais como o adulto.
Ariès (1981) traz a dependência da criança em relação ao
adulto. Como não era vista como um sujeito, mas como um ser que não havia
crescido, não havia distinção entre as atividades, até mesmo jogos e
brincadeiras da época. Ele diz que:
Até os
princípios do século XVII, não existia separação entre as brincadeiras e os
jogos reservados às crianças e aos adultos. [...]Alguns jogos de salão – os
mais simples – ficaram restritos às crianças e ao povo, às “pessoas ignorantes
e grosseiras”, enquanto aqueles que dependiam de um pouco mais do espírito,
como o jogo das rimas, eram utilizados apenas pelos cavalheiros e damas da alta
dignidade. (1981, p.115-6)
O primeiro
sentimento de infância que surgiu foi o da “paparicação”. Esse sentimento
apareceu no núcleo familiar, na presença das crianças pequenas. As pessoas admitiam
o prazer provocado e também o bem estar que sentiam em paparicá-las. No decorrer dos anos, a criança, por sua
ingenuidade e delicadeza, torna-se fonte de descontração e de entretenimento
para os adultos.
O segundo sentimento de infância que surgiu foi a percepção
da inocência e da fraqueza da criança. Conforme
Ariès (1981), “a família começou a se organizar, dirigindo a ela tamanha
importância e saindo então do seu anonimato. Agora, seria inaceitável perdê-la
ou substituí-la sem que isto causasse imensa dor, não podendo ela mais ser
reproduzida muitas vezes, e que se tornou necessário limitar seu número para
melhor cuidar dela” ( p.12).
Desde que a
escola fora instituída como um ambiente moderno, tornou-se, como diz Corazza
(2000), ponto de referência de diferentes setores sociais, tomada como um
espaço de enfrentamentos, geradora de discursos e tensões (p. 188). Para ela:
A escola seria
um espaço contestado que, ao lado de outros, põe em jogo a governamentabilidade
da população, especialmente a infantil, e seu disciplinamento em termos de
conformação de um corpo dócil e utilitariamente funcional às diversas
estratégias da dinâmica social. [...] A escola – com seus mecanismos e táticas
de normalização, implantação de hábitos e rotinas, transmissão de conteúdos
uniformes, horários, distribuição espacial, execuções disciplinares,
operacionalização de formas determinadas de racionalidade e de subjetividades,
criação de interesses, necessidades, afetos e desejos – produz a infância, por
meio do discurso pedagógico que, no infantil e em seu desenvolvimento, encontra
razões sociais, culturais, econômicas e políticas que justificam sua
necessidade cultural, existência política e subsistência institucional. (2000,
p. 189)
Nesse modelo de escola, a criança era disciplinada para
atender aos desejos e interesses da sociedade e satisfazer a família, não
havendo a oportunidade de que ela pudesse explorar o conhecimento adquirido,
contextualizar com o outro suas aprendizagens. Não existia a preocupação de
formar um sujeito crítico e reflexivo, mas que agisse conforme sua cultura, de
acordo com as normas impostas pela sociedade.
Comênio (1592-1670) filósofo tcheco que procurou combater o sistema
medieval, defendeu o ensino “tudo para todos”, sendo o primeiro teórico a
respeitar a inteligência e os sentimentos da criança. Aconteceu aí o despertar
de uma nova concepção de infância.
Como diz Jõao Luiz Gasparim, professor do Departamento de
Teoria e Prática da Educação da Universidade Estadual de Maringá, Comênio trata
a infância com muita delicadeza, num tempo em que a escola existia sob o regime
da palmatória. Naquela época, a educação era praticada e aplicada como um
castigo, não oferecendo subsídios para que o educando estabelecesse relação com
a sociedade. Com essa situação, o teórico demonstrou sua preocupação
questionando do por quê não pode se aprender brincando.
No pensamento de Comênio, “age idiotamente aquele que
pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem aprender, mas quanto ele
próprio deseja”. Para ele, deve-se
começar a formação muito cedo, desde a infância, poiis não se deve passar a
vida a aprender, mas a fazer.
Outro pensador preocupado com o desenvolvimento físico e
cognitivo da criança era o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778),
revolucionário para o seu tempo, diz que a escla não deve se preocupar com a
formação da criança para sua idade adulta, , mas envolver-se também na intenção
de propiciar felicidade à criança enquanto ela ainda é pequena.
Para Rousseau, citado por Maria Constança Peres Pissarra,
professora de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a
criança devia ser educada sobretudo em liberdade e viver cada fase da infância
em sua plenitude. Para ele, o ser humano é praticamente só sentidos, emoções e
corpo físico, enquanto a razão ainda está em processo de formação.
Em uma de suas frases , o filósofo diz que a instrução das
crianças é um ofício em que é necessário saber perder tempo, a fim de ganhá-lo,
devendo deixá-la correr, se divertir, cair até mesmo cem vezes por dia, tanto
melhor, sendo que assim aprenderá mais cedo a se levantar.
Golveia, citado no artigo da Pós-Graduanda Elenir Mousquer
(2001) diz que:
É fundamental
que no âmbito da educação
conceber criança como pequeno adulto ou subestimar sua capacidade de construir
deixa de ser regra. Toda e qualquer proposta deve partir da valorização da
criança, partir da sua voz, da sua visão de mundo e de suas necessidades. (p.
81)
Esse pensamento diz da criança poder ter a oportunidade de
explorar o seu meio, o seu espaço, no seu tempo, construindo os seus conceitos,
as suas hipóteses acerca do que está vivenciando, sem que a aprendizagem seja
algo imposto, em um determinado espaço, num determinado tempo, cada criança
possui a sua singularidade.
O que não acontece na maioria das escolas, já que o
conhecimento, na maioria das vezes é trazido pronto para o aluno, não
permitindo que ele explore, investigue, entre em contato direto com as aprendizagens,
estando num processo de memorização e adestramento.
Em relação a
Educação Infantil, aos poucos a criança foi ocupando o seu espaço, uma vez que
sua presença nas instituições escolares era apenas de cunho assistencialista,
já que as mulheres invadiram o mercado de trabalho devido à necessidade. Nesses
espaços prevalecia apenas o cuidado e a higienização, não sendo propiciado
situações que pudessem desenvolver a criança como um todo.
A partir do momento em que foi criada uma consciência sobre a
importância da primeira infância, foram desenvolvidas várias políticas públicas
e programas educacionais que pudessem promover e ampliar as condições
necessárias para o desenvolvimento das crianças, que começaram a conquistar o
seu espaço e direitos na sociedade.
A integração da Educação Infantil no âmbito da Educação
Básica dando direito às crianças de 0 a 6 anos de idade, sendo dever do estado
e da sociedade civil, vem da luta desenvolvida especialmente por educadores
que, ao longo dos anos, apoia alguns segmentos organizados na definição das
políticas públicas e na elaboração de leis que promovem direitos a elas.
Uma política nacional para a infância diz do seu
reconhecimento enquanto sujeito de direitos. Quando amparada por Lei, a criança
deve receber, nas instituições de ensino, não apenas o cuidar, a atenção com
sua higiene, mas o educar, a preocupação com o seu conhecimento, com o
desenvolvimento das suas habilidades.
A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
9394/96, que define a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação
Básica, a criança de 0 a 6 anos passa a receber prioridade nas suas
necessidades educacionais como o cuidar e o educar, sendo que os órgãos
responsáveis pelo seu oferecimento devem se preocupar em propiciar um espaço e
tempo condizente com o desenvolvimento da criança, respeitando sua idade, seu
contexto e sua singularidade.
A partir dessa lei, a educação infantil começa a ser vista
como parte integrante do sistema educacional brasileiro. Percebe-se a educação
infantil como um espaço de aprendizagens, onde as crianças fazem relações,
sendo que o educador não está no seu papel de protetor, mas de provocador,
instigando as crianças desde a mais tenra idade para que levantem suas
hipóteses acerca do mundo que a cerca, preparando-a para sua vida escolar.
Na retrospectiva histórica para compreender o desenvolvimento
infantil, percebe-se os vários momentos pelo qual passou o sentimento de
infância, e, ao transcrever esse período de evolução do olhar sobre a criança
para uma abordagem sócio-histórica, diz-se que a criança, desde o seu
nascimento, pertence a um contexto em que aos poucos vai se adequando às exigências
do meio cultural onde está inserida.
No decorrer da
trajetória histórica referente ao desenvolvimento infantil, a criança conquistou sua valorização e seu espaço a
partir do reconhecimento das suas potencialidades e de sua importância tanto na
vida humana quanto social e histórica, adquirindo direitos amparados por lei,
sendo dever da família e sociedade zelá-los pelos mesmos.
No entanto, para
fazer valer esses direitos por ela adquiridos, as instituições de ensino devem
oferecer na organização dos seus espaços e tempos, oportunidades para que se
desenvolvam as aprendizagens, instrumentos inovadores e facilitadores em que a
criança crie, produza e construa a sua subjetividade.
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